Resultado da II Mostra de Boas Práticas de Segurança do Paciente

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Na semana passada (dia 30/04), foi realizada a premiação da II Mostra de Boas Práticas de Segurança do Paciente, uma oportunidade para reconhecer o trabalho das equipes e promover a troca de experiências entre os profissionais com foco na melhoria do cuidado com os nossos usuários.

Sete práticas foram inscritas dos por equipes de atuações e perfis variados. Confira a seguir as três primeiras colocadas e demais participantes da Mostra.

1º lugar – Ambulatório de Feridas da Ortopedia e Egresso Cirúrgico -Desospitalização Precoce e Segurança do Paciente

SETOR: Ambulatório de Egresso Cirúrgico / Unidade de Clínica Cirúrgica

RESUMO:

O objetivo do Ambulatório de Egresso Cirúrgico de Feridas da Ortopedia é promover a desospitalização precoce e garantir a segurança do paciente. Isso é feito visando à redução das infecções hospitalares e promoção da saúde, permitindo que os usuários retornem ao ambiente familiar para a convalescença. Além disso, busca-se promover a autonomia dos pacientes e sua participação ativa no próprio cuidado, o que contribui para melhorar sua qualidade de vida. Essa abordagem também visa reduzir os custos associados às internações hospitalares prolongadas e otimizar o uso dos recursos hospitalares.

O Ambulatório realiza a alta segura com agendamento e seguimento pela Enfermeira da Ortopedia e equipe do Ambulatório para o acompanhamento de feridas extensas (graves), enxertia e retalho de pele. Além do tratamento especializado para melhoria de partes moles até que o paciente tenha condições de cirurgia (alta precoce) com as melhores tecnologias oferecidas pelo Hospital e parceiros.

Como resultados, o Ambulatório promove:

– desospitalização precoce de pacientes com feridas complexas, necessitando de acompanhamento de feridas até melhoria de partes moles para o 2º tempo cirúrgico;

– retorno do paciente ao convívio familiar, propiciando uma melhor recuperação com segurança;

– descolonização dos pacientes e redução de infecção;

– recuperação da autoestima do paciente com o tratamento da ferida;

– redução da taxa de ocupação de leitos e dos custos.

2º lugar – Mutirão de Limpeza

SETOR: SHL

RESUMO:

Por meio de observações diretas e indiretas, foi identificada a necessidade de melhoria do ambiente por meio de um programa efetivo de limpeza e desinfecção devido à sobrevida dos microrganismos. Dentro da organização ambiental consideramos fatores como a superlotação, a qualidade do mobiliário, as superfícies fixas, a estrutura do edifício, o perfil socioeconômico dos pacientes e suas comorbidades, o quadro de profissionais e a complexidade dos atendimentos.

O primeiro passo foi conhecer e traçar o perfil epidemiológico comunitário e hospitalar e melhorar o controle da disseminação. Foi formada uma comissão multidisciplinar de organização ambiental, incluindo lideranças do Hospital, da Hotelaria, da Saúde e Segurança no Trabalho e da Farmácia. Um dos tópicos dessa comissão foi a limpeza e desinfeção integrada das superfícies, abrangendo todas as unidades de cuidado.

Investiu-se então em padronizar um novo produto de limpeza e desinfecção das superfícies, na integração entre os profissionais do SHL e da Enfermagem e em estratégias focando no perfil microbiológico. O movimento consiste em um mutirão de limpeza mensal em cada unidade de internação, onde trabalham em conjunto as equipes de Higienização e Enfermagem para limpeza e assepsia do ambiente, da parede, do chão, de superfícies, mobiliários e equipamentos.

3º lugar – Desenvolvimento de card para auxiliar na aplicação das medidas de prevenção de lesão por pressão pelo enfermeiro

SETOR: Comissão de Prevenção e Tratamento de Feridas (CPTF)

RESUMO:

A lesão por pressão (LP) é caracterizada como um dano na pele e/ou em tecidos moles, geralmente sobre uma proeminência óssea ou por uso de dispositivo médico devido à pressão intensa e/ou prolongada em combinação com o cisalhamento (NPUAP, 2016). A maior parte das LP podem ser evitadas. Como medidas essenciais temos a identificação do risco de desenvolver LP na admissão e, diariamente, inspeção e hidratação da pele, gestão da umidade, manutenção da higiene corporal, hidratação, nutrição e redistribuição da pressão (ANVISA, 2023; COREN, 2023). Há vários instrumentos para identificação de risco de desenvolvimento de LP, tais como escala de Braden, escala de Braden Q, escala Neonatal Skin Risk Assessment Scale (NSRAS), que são aplicadas na admissão e diariamente dependendo da faixa etária do paciente.

É responsabilidade de todos os profissionais que compõem a equipe multidisciplinar realizar medidas para prevenção de LP. Entretanto, compete ao enfermeiro identificar, planejar, executar, prescrever e orientar a equipe técnica a respeito das medidas preventivas de acordo com a individualidade de cada paciente, utilizando as ferramentas de avaliação. No Protocolo de Prevenção de Lesão por Pressão do Hospital são encontradas as recomendações essenciais para cuidados para prevenção de LP, de acordo com o resultado das escalas. A fim de auxiliar no cumprimento das medidas de prevenção de LP, a CPTF, em abril de 2023, desenvolveu um treinamento presencial para os enfermeiros do CTI, da Clínica Médica, da Clínica Cirúrgica e das unidades de internação do Pronto-Socorro com a disponibilização de um card para utilização junto com o crachá, com a escala de Braden e as medidas de acordo com o risco da escala para serem prescritas pelo enfermeiro. Após o treinamento e entrega dos cards foi possível observar uma melhora na adesão da prescrição das medidas de prevenção de LP preconizadas no protocolo institucional.

Demais práticas inscritas

SETOR: Maternidade – Bloco Obstétrico

TÍTULO DA EXPERIÊNCIA: Segurança no parto vaginal e puerpério por meio do uso da Lista de Verificação para o Parto Seguro (LVPS)

RESUMO:

Trata-se da utilização sistemática da Lista de Verificação para o Parto Seguro como uma estratégia voltada para a prevenção das principais causas de óbitos maternos, de natimortos por causas intraparto e de óbitos neonatais. A Lista de Verificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Partos Seguros (Checklist Parto Seguro) teve seu início no Bloco Obstétrico a partir do dia 02/04/2024, quando a equipe técnica de Enfermagem iniciou o preenchimento da mesma. A equipe foi treinada sobre a importância da execução e preenchimento do checklist. Essa lista de verificação é constituída por práticas baseadas em evidências científicas que ajudam a evitar as principais causas de morte materna, de natimortos por causas intraparto e das mortes neonatais. Cada tarefa da Lista de Verificação é uma ação crucial que, se não for executada, pode causar sérios eventos adversos para a mulher, o recém-nascido ou para ambos.

 

SETOR:  Unidade de Clínica Cirúrgica

TÍTULO DA EXPERIÊNCIA: Implantação do Cateter Central de Inserção Periférica (PICC), maior segurança no procedimento de inserção em relação aos demais dispositivos venosos centrais. Maior conforto e satisfação do paciente, agregando valor em saúde

RESUMO:

A implantação do PICC possibilita a desospitalização precoce do paciente, proporcionando mais segurança e satisfação do mesmo, minimizando riscos inerentes à internação hospitalar, além da redução de custo com o giro de leitos. O projeto compreendeu as seguintes atividades:

– capacitação das equipes de Enfermagem e das equipes de atenção domiciliar dos municípios vizinhos em relação aos cuidados com o dispositivo de PICC na manutenção e administração de medicamentos por essa via;

– punção do dispositivo em ambiente controlado (Bloco Cirúrgico);

– criação do protocolo assistenciais do PICC – HRTN/PRS/ENF 127;

– implantação e manutenção do Cateter Central de Inserção Periférica em adultos e punção de PICC para desospitalização precoce de pacientes com demandas de antibioticoterapia endovenosa em domicilio (pós-alta).

 

SETOR: CME

TÍTULO DA EXPERIÊNCIA: Monitoramento “Padrão Ouro” na limpeza de produtos para saúde com teste de adenosina trifosfato (atp) em insumos na CME

RESUMO:

O Centro de Materiais e Esterilização (CME) é uma unidade funcional destinada ao processamento de produtos para saúde (PPS). Nesse setor são realizadas operações complexas e sequenciais que envolvem mão de obra especializada, recursos operacionais e tecnológicos. O CME do Risoleta é classificado como classe II. Realiza atendimento interno e externo à UPA. Possui uma gerência de Enfermagem, uma coordenação de Enfermagem, seis supervisores de Enfermagem que atuam durante 24 horas, equipe de técnicos de Enfermagem composta por 32 trabalhadores. A escala segue o quantitativo/dimensionamento conforme o Conselho Nacional de Enfermagem – COFEN. O setor disponibiliza, em tempo integral, POPs, atlas fotográfico, check-list de montagem, check-list de segurança com dupla e tripla checagem, registros fotográficos e manuais e utilização de tablet para validação em tempo real de caixas especiais como OPMEs, caixas de óticas, CVL e urológicos.

O objetivo da prática apresentada é avaliar a qualidade da limpeza dos produtos para saúde utilizando o teste de superfície adenosina trifosfato (ATP) na CME. O controle positivo e negativo do teste químico em instrumentais e canulados é realizado pelo enfermeiro e segue rotina diária de avaliações nos períodos da manhã, tarde e noite. O limite de aceitabilidade é de 20 RLU para instrumentais e canulados (ponto de corte). Todo processo é descrito conforme POP e orientações do fabricante. Quando o resultado é superior ao estabelecido, a limpeza manual e automatizada é realizada novamente em toda caixa, até que haja liberação dos PPS.

Como resultado observa-se que em geral 91% de todos os materiais testados passam no teste de ATP, tendo como meta 80% já que o limite de corte é baixo, o que representa que o processo de higienização e limpeza cumpre com a diretriz de garantia de esterilização e segurança do paciente na CME, sendo exemplo em eficiência e efetividade do processo de esterilização como referência nacional.

 

 

SETOR: Centro Cirúrgico

TÍTULO DA EXPERIÊNCIA: Prevenção de lesões por posicionamento cirúrgico através da ELPO e aplicação do filme transparente de poliuretano no Centro Cirúrgico

RESUMO:

As causas que levam um paciente a submeter-se a uma intervenção cirúrgica são diversas, sendo, para alguns casos, o único recurso disponível. O processo cirúrgico engloba etapas determinantes, de alta complexidade para a assistência à saúde e é indispensável um planejamento adequado durante o perioperatório, a fim de garantir o restabelecimento desejado, no menor tempo possível, sempre evitando eventos adversos. O evento adverso constitui um incidente que resulta em dano ao paciente (Brasil, 2013). Nos países industrializados, quase metade de todos os eventos adversos em pacientes hospitalizados estão relacionados com o processo cirúrgico (OMS, 2008). Lesões resultantes do posicionamento cirúrgico são eventos adversos evitáveis com incidência de 4% a 45%. A variação da taxa de incidência pode ser ocasionada pela dificuldade de atribuir o aparecimento dessas lesões ao posicionamento do paciente durante o intraoperatório, principalmente pela manifestação tardia, que pode ocorrer em até cinco dias, confundindo-se com outras etiologias não derivadas do ato cirúrgico. Em 2022, o Centro Cirúrgico do Risoleta implantou a ELPO, após capacitações dos enfermeiros e técnicos de Enfermagem, bem como medidas preventivas às lesões acompanhadas de alterações de Protocolo Operacional Padrão (POP), rotinas de avaliação, atualizações dos sistemas e aquisições de melhorias, como troca das superfícies das mesas cirúrgicas, aquisições de coxins de gel e adaptadores. As medidas preventivas são realizadas em circunstâncias do risco identificado pelo perfil cirúrgico e pela estratificação ELPO, entre elas a aplicação do filme transparente de poliuretano. Como resultado observou-se que a média de surgimento de LPPs, em 2022, foi de 0,05%; em 2023, foi de 0,3%; e no primeiro trimestre de 2024 foi de 0%.

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